Na minha memória mais recente, eu acho que não joguei nenhum jogo que desrespeitasse a inteligência do jogador tanto quanto Stellar Blade. Em todas as áreas que você vai, há setas e tinta amarela (literalmente) constantemente te apontando pra onde você deve ir, até mesmo em áreas desérticas onde não faria nenhum sentido haver tinta amarela pichada pelas paredes, inclusive até te levando até áreas "secretas" (que, obviamente, não são mais secretas, porque uma placa gigante com uma seta estava apontando para lá). Quando você sequer se aproxima de um puzzle, a câmera e o seu amigo drone quase que imediatamente já começam a te levar para a resolução e, se você demorar um minuto sequer, aparece na sua tela um prompt que te diz como resolver. Esse amigo drone, inclusive, geralmente não te dá tempo para pensar em nada, ele tá o tempo todo descrevendo tudo o que você tem que fazer, parece que é um jogo feito pra bebês. Francamente, meu maior problema é que esse jogo é claramente inspirado em Nier Automata, desde a temática até a caracterização dos personagens, mas os devs não entenderam absolutamente NADA do que fazia o Nier Automata ser tão bom, então eles fizeram uma protagonista gostosa e ficaram satisfeitos com isso, e o pior, isso realmente parece ter convencido a maior parte das pessoas. A falácia do custo irrecuperável fez eu jogar 27 horas disso mas, no fim, eu nem cheguei a terminar.
Análise 100% imparcial, o jogo é sim acima da média, mas tem potencial pra ser bem mais o que o apresentado. O modelo da Eve de fato é a coisa mais chamativa, mas o gameplay, trilha sonora e chefes são muito bons, dá para notar um esforço grande em tornar o jogo divertido e não só um fanservice. A história tem um potencial absurdo abordando dilemas como o que é humanidade, moralidade entre outras coisas, mas isso fica apenas na superfície e não há um mergulho profundo nesses temas de forma que gere um engajamento por parte do jogador. Os chefes tem apelo visual, sonoro e no gameplay, mas não tem apelo emocional. O democrawler por exemplo, tem uma música letrada ESTUPENDA, um moveset bacana mas não tem nenhuma relação pessoal com os personagens principais. A penúltima chefe do jogo é difícil e apelativa, e diferente do democrawler tem um apelo emocional, mas é fraco, pois ela aparece por pouco tempo na história e seus trejeitos são muito clichês e exagerados. O Único chefe que tem uma ligação emocional forte com o elenco principal, é o último chefe, pois ele é presente, tem uma trilha sonora ESPETACULAR, trás um dilema interessantíssimo, e é imponente. Gostaria que os outros chefes do jogo compartilhassem dessas características. Sobre o gameplay, tentaram fazer um dark souls misturado com metal gear rising. Vi pessoas comparando com Bayonetta, mas só acho que faz sentido a comparação de que os dois jogos tem personagens apelativas. O combate é bem mais cadênciado, misturando esquiva, parry, espadadas e tiroteio, sinto que por pouco não colocaram um sistema de stamina no jogo. Na minha opinião é competente mas é um meio termo que não me agrada muito, ficou nítido que estão experimentando mecânicas para jogos futuros.