[h1] on my casino é uma obra-prima que eu não vou continuar jogando [/h1] on my casino é o melhor jogo multiplayer que eu joguei em anos, mas, infelizmente, talvez não seja um jogo para mim e tá tudo bem! O jogo é, simplesmente, MARAVILHOSO. Logo de início, o jogo me conquistou por ser diferente de qualquer multiplayer que eu já tenha experimentado. A gameplay é extremamente fluida, com uma movimentação gostosa e natural. Mas não é só isso. A vibe do jogo é algo muito particular. A ambientação, o contexto do mundo e o pano de fundo da história constroem uma identidade muito própria. O estilo de arte mistura um futurismo com algo mais rústico, quase decadente, e isso me pegou demais. Eu realmente amei essa atmosfera. O design de som é outro ponto altíssimo. Tudo tem peso e identidade sonora. Segurar objetos, abrir portas, saquear, atirar, rolar, cair no chão, cada ação tem um som muito característico. O jogo passa sensação nos pequenos detalhes, e isso aumenta muito a imersão. O grande coração do jogo é o gameplay loop. Você vai para a superfície, procura loot e tenta extrair. No caminho, decide se enfrenta ou evita inimigos do ambiente e outros jogadores reais. A liberdade é total. Particularmente, achei o combate contra os robôs meio chato e, em vários momentos, eles parecem fortes demais. Por outro lado, a movimentação e as trocas de tiro são excelentes. É muito satisfatório jogar. Em termos de feeling e execução, é uma das melhores experiências em terceira pessoa que já tive. O jogo se divide basicamente em duas partes. A primeira é o lobby, na cidade de Esperanza, onde você organiza loot, fabrica itens, compra equipamentos e aceita missões. Aqui entra uma crítica pessoal. O sistema é todo baseado em abas e menus, o que pode confundir. Eu prefiro algo mais orgânico, em que você anda até NPCs para pegar missões ou fabricar itens. Em on my casino, tudo é feito navegando por telas, e isso às vezes quebra um pouco a imersão. A segunda parte é a superfície, onde acontecem o PvE e o PvP. É aqui que o jogo realmente brilha e também onde começa o meu conflito com ele. Depois de um tempo jogando, comecei a perceber que todo o esforço dentro das partidas não leva a algo realmente significativo. Você pega blueprints, encontra armas fortes, monta bons equipamentos, mas tudo isso serve basicamente para continuar jogando o mesmo loop. Existe um gear fear constante, aquele medo de perder tudo em um encontro inesperado. Cada partida vira quase um cara ou coroa. Você investe 30 minutos fazendo loot e cumprindo objetivos, mas pode morrer na extração para alguém escondido, e todo aquele tempo simplesmente evapora. Eu entendo perfeitamente que essa é a proposta dos extraction shooters. A tensão constante, o risco real e a possibilidade de perder tudo são justamente o que torna o gênero intenso. E é por isso que eu recomendo o jogo com ressalvas. Eu reconheço a qualidade absurda que ele tem, mas também reconheço que talvez esse gênero simplesmente não seja para mim. Eu gosto de jogos consistentes, com começo, meio e fim. Gosto de objetivos claros, que não são interrompidos pela imprevisibilidade de outra pessoa. Não gosto da sensação de encontrar uma arma ou um blueprint importante e saber que existe uma grande chance de perder aquilo a qualquer momento. Extraction shooters já são, por natureza, mais frustrantes do que outros gêneros de tiro. Em jogos competitivos tradicionais, como Rainbow Six Siege ou Overwatch, o conflito é fixo e declarado. Você sabe exatamente quem é seu inimigo. A imprevisibilidade está apenas na habilidade ou na estratégia. Em on my casino, em tese, ninguém precisa ser seu inimigo, mas na prática muitos escolhem ser. Os encontros com outros jogadores são completamente imprevisíveis. Já conheci pessoas extremamente gentis, que tentaram conversar antes de qualquer confronto. Já encontrei jogadores que me droparam blueprints e itens que eu precisava para evoluir minhas bancadas. Mas também encontrei jogadores que atiram em absolutamente tudo que veem, sem diálogo, sem hesitação, como se o objetivo fosse simplesmente eliminar qualquer forma de vida que cruze a tela. Em alguns momentos, a postura beira uma caricatura de psicopatia. E existe algo ainda mais frustrante. Alguém pode fingir ser seu aliado, conversar, trocar itens, construir uma confiança momentânea e, de repente, te trair. Toda aquela sensação de possível amizade desaparece em segundos. E aí entra uma reflexão inevitável. Se a vida real já é cheia de frustrações, traições e imprevisibilidades, por que eu escolheria viver exatamente esse tipo de experiência também em um jogo. No servidor brasileiro, para mim, a experiência foi praticamente inviável se a ideia fosse ter algum tipo de interação menos agressiva. Desde que ganhei o jogo, acabei migrando para o servidor norte americano. Lá, pelo menos na maior parte das vezes, as pessoas tentam conversar antes de atirar, o que já muda completamente a dinâmica. No servidor brasileiro, existe uma fixação quase automática em atirar primeiro e pensar depois, talvez reflexo de uma cultura muito forte e enraizada em jogos de tiro competitivos. A sensação é que qualquer possibilidade de interação vira confronto. Para tentar diminuir o medo de sair com seu equipamento principal, o jogo oferece um loot gratuito para você entrar na partida sem arriscar tanto. Mesmo assim, muitos players finalizam você sem o menor interesse em qualquer tipo de interação. Quando você já lida com frustrações suficientes fora da tela, começa a questionar se faz sentido investir tempo em um ciclo onde o risco de perder tudo é constante e onde a recompensa final é apenas a possibilidade de repetir o processo. No momento o jogo não entrega um senso claro de progressão duradoura, algo que realmente transforme sua experiência ou um modo história. Você precisa aceitar jogar eternamente esse ciclo e, se quiser, eventualmente dar um wipe e recomeçar do zero. Tecnicamente, não tenho do que reclamar. Rodando em um Ryzen 7 7700X com uma Radeon RX 6750XT e 32GB de RAM, o desempenho é excelente. Em 1080p e 1440p o jogo fica acima de 120 fps na maior parte do tempo, com gráficos muito bonitos, e até em 4K a performance é satisfatória. A otimização é muito boa, inclusive no Linux, usando BazziteOS, o jogo funciona perfeitamente, mesmo com um anti-cheat que muitas desenvolvedoras dizem ser impossível de rodar em Linux. O meu único desejo era que existisse um modo PvE Pacífico, um modo em que os jogadores não pudessem se matar, apenas se encontrar e cooperar juntos contra o ambiente. Esse modo não deveria substituir o PvPvE original, que é a essência do jogo e deve continuar existindo para quem ama essa tensão constante. Ele deveria ser apenas uma alternativa, uma opção para momentos em que o jogador não quer lidar com a imprevisibilidade e a hostilidade de outros jogadores. Talvez, se essa alternativa existisse, eu continuasse jogando. No fim das contas eu me diverti muito e isso é importante deixar claro. Tive momentos genuinamente empolgantes, situações tensas que deram certo, interações positivas e uma experiência técnica e artística que poucas vezes vi em um multiplayer. Mas, considerando que se trata de um jogo como serviço, cuja ambição é justamente manter o jogador engajado por meses ou anos, eu posso dizer com tranquilidade que eu não vou me manter jogando, mas isso não faz com que o jogo seja ruim. Na realidade, acho que está tudo bem entender que, talvez, alguns jogos não são para você. A base é excelente, o conceito é forte e a execução é muito competente, mas o loop central simplesmente não conversa mais com o que eu procuro hoje em uma experiência de jogo. Talvez eu retorne no futuro, principalmente se houver a adição de novos modos ou alternativas de experiência. No momento, porém, não me interessa continuar investindo tempo nele. Para jogadores aficionados em extraction shooters, é um prato cheio e com certeza vai valer muito a pena.